Projeto foi apresentado nos dias 17 e 18 de abril, em escola pública de São Pedro do Piauí, e inclui versão em Libras e formatos acessíveis
para ampliar o alcance



Entre as rimas marcadas e as histórias que atravessam gerações, a literatura de cordel sempre foi uma da expressão potente da cultura popular nordestina, seja nos folhetos pendurados em feiras ou na tradição oral que transforma informação em narrativa acessível. Agora, esse formato ganha um novo papel aqui no nosso projeto, o de ferramenta para o letramento digital e midiático.
Foi com essa proposta que a Coar Notícias lançou o Cordel de Checagem para Sala de Aula. Desenvolvido especialmente para o ambiente escolar, o material reúne, em linguagem acessível e didática, orientações práticas sobre o processo de verificação de informações. A iniciativa foi apresentada durante o evento realizado nos dias 17 e 18 de abril, em São Pedro do Piauí, no Centro Estadual de Tempo Integral (Ceti) Landri Sales.
A partir da adaptação dos versos da literatura de cordel, o projeto fez um material educativo inédito que aborda temas como checagem de fatos, letramento digital e midiático, educação para dados e a Lei de Acesso à Informação (LAI). A proposta aproxima tradição e cultura digital para fortalecer a leitura crítica de estudantes e professores no enfrentamento à desinformação, ao mesmo tempo em que valoriza referências culturais locais.
Além disso, a escolha de São Pedro do Piauí não foi por acaso. O município tem Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,595, indicador criado pela ONU que mede a qualidade de vida com base em renda, educação e expectativa de vida. Como índices acima de 0,700 são considerados altos, o dado indica que ainda há caminhos a avançar, especialmente no acesso à informação e à educação midiática.
É nesse contexto que a Coar Notícias atua. Ao apostar em uma linguagem próxima da realidade local e em um formato culturalmente enraizado, a iniciativa aproxima o conteúdo do cotidiano dos estudantes e professores, valoriza a cultura nordestina e contribui para fortalecer a autonomia informacional, oferecendo ferramentas para identificar, questionar e enfrentar a desinformação.
Educação e inclusão
Mais do que inovar na linguagem, o projeto aposta na inclusão. O Cordel de Checagem para Sala de Aula foi pensado para circular em diferentes formatos, como impresso, digital, em áudio e em vídeo com tradução em Libras, ampliando o acesso e garantindo que o conteúdo possa chegar a públicos diversos. A adaptação não é um detalhe, é parte central da proposta de democratizar o letramento midiático e tornar o debate sobre desinformação mais próximo da realidade de estudantes e educadores.
O material também vem acompanhado de orientações pedagógicas, facilitando o uso do cordel em sala de aula e ajudando professores a incorporar, de forma prática, discussões sobre
verificação de informações no cotidiano escolar. Por trás da iniciativa está o trabalho conjunto da doutora e professora de comunicação Marta Alencar e da jornalista e mestre em comunicação Ruthy Costa, que idealizaram o projeto com o objetivo de apoiar escolas não só nas regiões Norte e Nordeste, foco da Coar Notícias, mas em todo o Brasil.
Para tirar a ideia do papel, a equipe reuniu diferentes colaboradores. Entre eles, o cordelista Eudes Sousa, autor de cerca de 20 folhetos, incluindo a série Turma do Chico Poeta, que ajudou a dar forma aos versos. A produção também contou com o professor Wesley Veloso, responsável pelo vídeo em Libras, além de Bianca Gabriela, na edição de vídeo, Maria Eduarda Goulart, na versão em áudio, e Idayane Ferreira, que assina as ilustrações do material.
A iniciativa ainda conta com o apoio da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), por meio do Projeto Caravana, criado em 2023 para fortalecer o jornalismo local em diferentes regiões do país, com formações, parcerias e cursos voltados às realidades dos territórios.
Visão dos alunos
A recepção entre estudantes e professores foi positiva. Para muitos, o contato com o tema não era exatamente novo, mas a forma de abordagem fez diferença. “A formação surpreendeu”, contou Matheus Frederico, aluno do 2º ano do ensino médio. Segundo ele, assuntos como fake news já fazem parte do cotidiano dos jovens, mas entender com mais profundidade o funcionamento das redes e a circulação de informações ampliou o olhar sobre o tema.
A percepção se repete no relato de Sara Emanuele, estudante do 3º ano. Para ela, um dos pontos mais importantes foi aprender a verificar a origem das informações. “Saber quem escreveu, quem gravou e onde checar se aquilo é verdadeiro faz muita diferença”, destacou.
Veja como foi o evento pelo nosso Instagram: https://www.instagram.com/reel/DXUcQ0-EcIf/?igsh=MWR0ZXY2dW5kNGs5