Jornalistas e pesquisadores conduziram dois dias de oficinas, debates e atividades práticas com estudantes





Durante os dois dias de programação do evento de lançamento do Cordel de Checagem para Sala de Aula, estudantes da rede pública de São Pedro do Piauí participaram de uma imersão em temas como desinformação, checagem de fatos e uso consciente das redes. O evento, promovido pela Coar Notícias em parceria com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), combinou oficinas práticas, debates e atividades criativas, sempre conectando o conteúdo à realidade dos alunos.
“A proposta é trazer o jornalismo investigativo para dentro da sala de aula, especialmente em um ano eleitoral como 2026, para que os alunos desenvolvam senso crítico e consigam identificar quais notícias são verídicas e quais são manipuladas”, afirma Thaís Cavalcanti, coordenadora da Caravana da Abraji. Ela também comenta que, o cenário local reforça a importância da iniciativa: “a cidade de São Pedro do Piauí é um deserto de notícias, sem veículos de comunicação oficiais que relatem o que acontece no município” o que torna as oficinas da Caravana, ainda mais relevantes para a formação cidadã e informacional da população.
No primeiro dia, a programação foi marcada pela introdução aos conceitos de verificação de informações e pela apresentação do Manual Arriégua, conduzida por Marta Alencar, fundadora da ONG COAR Notícias. Ao longo do dia, os estudantes participaram de oficinas de checagem em cordel, atividades práticas e dinâmicas que uniram cultura popular e análise crítica. Temas como transparência de dados e apuração jornalística também foram trabalhados, ampliando o repertório dos alunos sobre como a informação circula e pode ser verificada.
Já no segundo dia, o foco se voltou para segurança digital e produção de conteúdo. A programação incluiu uma conversa com o cordelista convidado e uma oficina voltada à proteção no ambiente online, além de uma imersão em podcast, aproximando os jovens de novas formas de produção e circulação de informação.
Entre os convidados, a jornalista Verônica Goyzueta trouxe sua experiência para discutir apuração e cobertura de acontecimentos locais. Professora da ESPM e cofundadora do portal Sumaúma, ela já atuou como correspondente no Brasil para veículos internacionais e teve passagem por organizações como o Pulitzer Center, contribuindo para uma visão ampla sobre jornalismo e território.
A jornalista Taís Seibt, diretora de estratégia na agência Fiquem Sabendo, conduziu atividades sobre transparência pública e acesso à informação. Com trajetória voltada ao jornalismo de dados e ao fact-checking, ela destacou a importância de ferramentas e metodologias que permitem ao cidadão acompanhar e fiscalizar o poder público.
Também participou do evento a jornalista Catarina Barbosa, diretora da Abraji e especialista em investigações sobre direitos humanos e meio ambiente. Em sua oficina, abordou a segurança online, especialmente voltada ao público jovem, discutindo riscos e práticas de proteção no ambiente digital.
Já o cordelista Eudes Sousa trouxe a dimensão cultural do projeto. Poeta e educador popular, ele atua na valorização da literatura de cordel como ferramenta de formação crítica e identidade cultural, conectando tradição e educação em diferentes contextos.
A diretora da Unidade Escolar Landri Sales, Jayslene Menezes, avaliou que os dois dias intensos de programação tiveram impacto significativo na formação dos estudantes. “Os nomes que trouxeram para os debates e oficinas enriqueceram muito as discussões, principalmente no que diz respeito à saúde digital desses alunos que tiveram a oportunidade de participar”, destacou. Segundo ela, a iniciativa contribuiu para ampliar o olhar crítico dos jovens sobre o ambiente digital e reforçou a importância de um uso mais consciente e responsável da informação.